sábado, 4 de janeiro de 2025

Rock in Rio – 40 anos em 2025 – História, nostalgia e saudade

 

Segundo semestre de 1984. Oficialmente, o Brasil ainda era governado pelo poder militar. Mas os anos de chumbo já haviam se abrandado. No ano seguinte um novo comandante civil assumiria o governo da nação - o que não imaginaríamos e que poucos sucessores das próximas décadas pouco atenderiam as necessidades sociais dos cidadãos. Não havia computadores em escala comercial, carros elétricos, não havia internet, nem telefonia móvel, e por conseguinte, não havia transporte por aplicativos, compras on line, redes sociais. Poucos os escritórios possuíam refrigeração por ar condicionado, a maioria das vezes, as voltas não tão rápidas das pás dos ventiladores, quase nunca dissipavam a fumaça dos cigarros de quem fumava in door (sim era permitido à época).  Os bancos acumulavam filas de clientes para dezenas de operadores de caixa que os atendiam. Pagamentos por pix, cartão débito, biometria, reconhecimento facial, era coisa que só se via na série Star Treck.

No universo cultural, na TV apenas canais abertos forneciam entretenimento, e se resumiam a novelas, futebol e programas de auditório (pois é...nesse ponto a TV aberta não mudou muito). Por falar em TV, nesse citado segundo semestre de 1984, a Rede Globo anunciava constantemente, para aquele próximo janeiro, um festival de rock que traria grandes estrelas internacionais ao país. Os consumidores da música rock (seja qualquer que fosse o perfil naquela metade dos 1980) já havia experimentado (ou pelo menos ouvido falar) das apresentações no Brasil das bandas Queen em 1981 e Van Halen e Kiss em 1983.

Para um adolescente pobre, com 15 anos, da periferia de uma cidade interiorana paulista, que já se apaixonara pelo estilo por conta dos citados shows, dos videoclipes do programa Som Pop da TV Cultura, e das matérias (nem sempre muito fidedignas ao que ocorria no rock mundial) de revistas como Som Três, Roll e Metal, o anúncio de nomes como AC/DC, Ozzy, Iron Maiden, Queen, Scorpions, Yes, Def Leppard (sim o Whitesnake ainda não tinha sido anunciado como substituto) num festival no Rio de Janeiro ao mesmo tempo representava um sonho artístico e uma grande dor. Mesmo trabalhando e estudando no período noturno, não seria possível (por questões familiares/econômicas) para este adolescente se fazer presente na capital carioca, naquele inesquecível período de 11 a 19 de janeiro de 1985, os dias que receberam o “Rock in Rio Festival”, num local construído especificamente para o evento, a “Cidade do Rock”.

Três eram os consolos. Devorar qualquer tipo de publicação nas bancas que fazia referência ao festival, saber que a citada emissora anunciava a transmissão dos shows e o terceiro só viria anos depois. O impacto que este festival causaria nos jovens de minha geração, o despertar de interesse de uma imensa parte da população pelo segmento rock and roll, a quantidade de bandas que iriam se formar, mais veículos especializados iriam ser lançados. Mesmo que 40 anos depois o rock jamais se configuraria no mais consumido estilo musical pelos jovens brasileiros e que, salvo raras exceções, jamais se faria constantemente presente nos grandes canais de mídia. Apenas o pop-rock que já era forte (rádios/TV/shows pelo Brasil) se aproximou dessa fatia de mercado. Mas, para estilos como rock progressivo, hard rock, heavy metal, punk, à exceção dos monstros sagrados que sempre visitariam o país nas próximas décadas, a divulgação e agregação de bandas nacionais ficariam sempre no espectro da cultura underground.

De qualquer forma, para um moleque que, além dos clipes, jamais tinha visto a execução ao vivo desses seus heróis musicais, poder assisti-los, mesmo numa pequena TV de 20 polegadas e com um som com 10% da qualidade de qualquer aparelho celular de hoje em dia, era de uma satisfação quase orgásmica. Assistir ao Ozzy (mesmo numa performance bem aquém do esperado) que colocava medo em muita gente fora do meio (a mídia nacional praticamente o classifica como o representante das trevas), a tradicional energia hard e contagiante do AC/DC, o majestoso e poderoso Queen (na época talvez a mais requisitada banda do planeta – em termos de expectativa showbuzzines). O até então pouco divulgado Whitesnake, que fez um show espetacular e tenha talvez apresentado à grande massa brasileira o conceito de guitar-hero, por conta das performances de John Sykes, os alemães do Scorpions, cuja balada “Still Loving You” já tocava em rádios FMs pelo país e o clipe “Rock You Like a Hurricane” já fazia muito sucesso (e parte desta música era single de abertura dos jogos do campeonato italiano – via TV Bandeirantes), fizeram um dos grandes momentos do festival, com a movimentação constante dos músicos em palco. E o Iron Maiden, cujo platinado álbum “Powerslave” já tinha sido lançado no Brasil, e que começava a ganhar status de monstro sagrado, cultuado por milhões, também com um show espetacular e preciso. Aliás, a exceção do Iron, todos os outros artistas se apresentaram em duas noites intercaladas.

Para os artistas brasileiros se viu a consagração (ou pelo menos a vibração) de nomes como Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso. Já para outros nomes como Kid Abelha, Pepeu Gomes (se que se esforçou para aproximar seu set mais do rock do que a música brasileira de seus álbuns) e Erasmo Carlos, o público não fora lá muito amigável. Este último foi escalado numa noite com nomes da música pesada, Whitesnake e Iron Maiden (com fechamento do Queen), foi hostilizado pelo público com direito ao arremesso de qualquer tipo possível de objeto ao palco. Já Pepeu Gomes que passou por situação parecida, por abrir a noite onde se apresentariam Whitesnake, Ozzy, Scorpions e AC/DC, senão foi o baluarte herói do rock brasileiro ali no palco, pelo menos escapou da chuva de latas e copos.

Outra lembrança divertida nesse começo de 1985 eram as impagáveis reportagens dos canais de televisão, com o público e artistas. Claro que a lei do popularesco ordena explorar ao máximo declarações e aparências estéticas grotescas e bizarras, e foi isso que aconteceu. Não nos esqueçamos que foi a Rede Globo que cunhou o termo “metaleiro”, para os fãs do heavy metal ali presentes. Termo esse que nós, headbangers, como gostamos de ser educadamente tratados, (até hoje) não achamos muito engraçado o termo “metaleiro”. Também não devemos nos esquecer da pândega entrevista que a (já falecida) jornalista Glória Maria fez com o vocalista Freddie Mercury (do Queen). Visivelmente nervosa e com um inglês xing ling, a repórter necessitou da calma e bom humor de Mercury (que normalmente não se comportava assim), para conduzir e concluir a entrevista. Essa entrevista e todos os shows que aconteceram naquela memorável semana de 1985 podem ser encontrados atualmente nos canais de vídeo da internet.

Passados 40 anos, esse adolescente de 1985, começando à época sua vida de adulto, com todas as dificuldades, inseguranças e incertezas que o futuro poderia reservar, continuou devoto ao estilo musical rock and roll, tendo estado presente em quase 150 shows internacionais, e tendo presenciado posteriormente praticamente todas novas visitas desses artistas que se apresentaram naquele primeiro Rock in Rio. Em que pese o fato de que, quatro décadas depois, o festival se transformou numa seleção de artistas na maioria de seu cast que de nada se aproxima de nomes históricos de rock and roll (sem entrar no mérito do comercialismo e da descartabilidade artística). Sem perder tempo de se lamentar ou discutir algo que nada irá mudar, sobram apenas as estatísticas. Mesmo em 1985, não eram apenas artistas do segmento rock (havia MPB, soul, pop), mas no detalhe de cálculo 60% dos nomes se enquadravam em algum segmento rock and roll, fazendo jus ao nome do festival. Tal percentual não se repetiu nas vindouras edições que ocorreram ao longo dessas 4 décadas. Há muitos anos.

 

Vamos acompanhar, ao longo de 2025, muitos relatos, nas mídias independente e mainstream, de pessoas que estiveram presencialmente na Cidade do Rock, naquele quadridecano janeiro. Suas experiências interessantes e curiosas e descrições mais precisas dos shows ao vivo. Aqui foi apenas mais uma explanação do sentimento de quem acompanhou o festival à época, mesmo a 839 Km de distância.

 

E, mesmo que esse garoto dos anos 1980, faça sempre referências ao ineditismo e à importância que aquele primeiro festival tenha se aplicado à geração de jovens consumidores e músicos das próximas décadas, todo esse sentimento e memórias sempre será visto pelo jovem atual como saudosismo e nostalgia. Mas qualquer um envolto ao universo rock que tivesse vivenciado aquele momento estaria sentido e expressando as mesmas emoções.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Álbuns ao Vivo: ainda são necessários?


Nos anos 1970 e 1980 uma das grandes expectativas dos fãs de rock eram os lançamentos de álbuns ao vivo de suas bandas favoritas. Era uma forma de se ouvir seu heróis executando nos shows seus trabalhos de estúdios. Alguns desses álbuns são considerados clássicos do rock, nivelados em sua importância até mesmo aos discos produzidos em estúdios. Muitos deles ganharam a opinião (praticamente) unânime do público consumidor. Vamos a alguns exemplos:

The Who – “Live At Leeds” - 1970
Deep Purple – “Made in Japan” – 1972
Uriah Heep – “Uriah Heep Live” – 1973
Kiss – “Alive I” - 1975 e “Alive II” - 1977
Led Zeppelin – “The Songs Remains the Same” – 1976
Peter Frampton – “Frampton Comes Alive” – 1976
Rush – “All the World's a Stage” - 1976
Rainbow – “On Stage” - 1977
Thin Lizzy – “Live and Dangerous” – 1978
Judas Priest – “Unleashed the East” – 1979
UFO – “Strangers In The Night” - 1979
Queen – “Live Killers” - 1979
Black Sabbath – “Live at Last” – 1980
U2 – “Under a Blood Red Sky” - 1983
Iron Maiden – “Live After Death” – 1985
Scorpions – “Word Wide Live” – 1985




Quem estuda a cultura rock já deve ter lido que muitos destes discos recebiam um “retoque” especial antes de serem soltos no mercado. Os famosos overdubbings. Algumas partes (ou muitas) do álbum eram retocadas em estúdio, às vezes até mesmo som de plateia era adicionado. Alguns artistas defendem abertamente tal prática, alegando que a captação do som ao vivo apresenta falhas corriqueiras. Para alguns fãs radicais isso soa como enganação.



A cultura dos álbuns ao vivo chegou a um ponto em que muitos discos piratas (“bootlegs”, não lançados oficialmente por gravadoras) fizeram sucesso no mercado paralelo, virando item obrigatório junto a qualquer coleção. Muitos com qualidade irrepreensível (oriundos provavelmente da mesa de som do palco), outros captados com rústicos gravadores de gente do público. Até hoje os colecionadores de LP disputam alguns desses álbuns. Alguns exemplos famosos de live bootlegs são o "Asbury Park" (Black Sabbath, 1975), "Berlin 5.29.70" (Deep Purple, 1970) ou  "Destroyer" (Led Zeppelin, 1977). Em 1994 houve uma disputa judicial por ninguém menos que os remanescentes dos Beatles contra o lançamento de um show da banda de 1961, ocorrido na Alemanha ("Live at Star-Club-Hamburgo"). Hoje tal áudio se encontra facilmente na net. Nos anos 2000, o Pearl Jam, preocupado com a gravação de shows, chegou a lançar oficialmente dezenas de álbuns ao vivo, visando evidentemente em filar mais essa fatia mercadológica.

No Brasil, a prática de se lançar discos ao vivo nunca foi muito intensa. Alguns álbuns foram bem celebrados, seja pela ousadia ou pela força de suas vendas. Podemos citar "Mutantes Ao Vivo" (Mutantes,1976), "Korzus ao Vivo" (Korzus, 1985), "Made Pirata Vol. I e II" (Made in Brazil 1986), "Rádio Pirata ao Vivo" (RPM, 1986), "Barão ao Vivo" (Barão Vermelho, 1989), "RDP ao Vivo" (Ratos de Porão, 1992), "Acústico MTV" (Legião Urbana, 1999), dentre outros.

Mas a era da venda de discos passou, sobrevivendo ainda com pouca força nos dias de hoje. Se discos físicos não são mais objeto de posse dos fãs mais jovens, o que dirá do mercado de álbuns ao vivo? É bem comum hoje em dia a moçada se apegar em 3 ou 4 músicas de um álbum recém lançado, enterrando no passado o termo “B-Side” (oriundo dos 2 lados do antigo bolachão). Além do fato de que dezenas de milhares de vídeos de shows ao vivo são despejados anualmente no youtube, alguns captados desde toscas câmeras de celular até filmagens profissionais de canais de TV. É comum acontecer um show hoje e amanhã poder conferi-lo como foi.

Muitos artistas e gravadoras hoje em dia se relutam até mesmo a gravar um álbum de estúdio, contrafaceando os custos de produção com a arrecadação de vendas dos álbuns. Um investimento salgado num disco ao vivo torna-se então uma aventura arriscada. No máximo o produto planejado é um DVD/Blue Ray.


À luz dos novos costumes, podemos decretar que a cultura dos discos ao vivo vai sobreviver apenas na arte da coleção. E praticada, em sua grande maioria, por gente acima dos 40. Em suma, quem quiser saber como é a performance ao vivo de seus artistas favoritos, torre uma grana para ir ao show, ou então estoure um saco de pipoca e confira como puder, entre seu sofá e sua smart TV.

Álbuns ao Vivo: ainda são necessários?


Nos anos 1970 e 1980 uma das grandes expectativas dos fãs de rock eram os lançamentos de álbuns ao vivo de suas bandas favoritas. Era uma forma de se ouvir seu heróis executando nos shows seus trabalhos de estúdios. Alguns desses álbuns são considerados clássicos do rock, nivelados em sua importância até mesmo aos discos produzidos em estúdios. Muitos deles ganharam a opinião (praticamente) unânime do público consumidor. Vamos a alguns exemplos:

The Who – “Live At Leeds” - 1970
Deep Purple – “Made in Japan” – 1972
Uriah Heep – “Uriah Heep Live” – 1973
Kiss – “Alive I” - 1975 e “Alive II” - 1977
Led Zeppelin – “The Songs Remains the Same” – 1976
Peter Frampton – “Frampton Comes Alive” – 1976
Rush – “All the World's a Stage” - 1976
Rainbow – “On Stage” - 1977
Thin Lizzy – “Live and Dangerous” – 1978
Judas Priest – “Unleashed the East” – 1979
UFO – “Strangers In The Night” - 1979
Queen – “Live Killers” - 1979
Black Sabbath – “Live at Last” – 1980
U2 – “Under a Blood Red Sky” - 1983
Iron Maiden – “Live After Death” – 1985
Scorpions – “Word Wide Live” – 1985




Quem estuda a cultura rock já deve ter lido que muitos destes discos recebiam um “retoque” especial antes de serem soltos no mercado. Os famosos overdubbings. Algumas partes (ou muitas) do álbum eram retocadas em estúdio, às vezes até mesmo som de plateia era adicionado. Alguns artistas defendem abertamente tal prática, alegando que a captação do som ao vivo apresenta falhas corriqueiras. Para alguns fãs radicais isso soa como enganação.



A cultura dos álbuns ao vivo chegou a um ponto em que muitos discos piratas (“bootlegs”, não lançados oficialmente por gravadoras) fizeram sucesso no mercado paralelo, virando item obrigatório junto a qualquer coleção. Muitos com qualidade irrepreensível (oriundos provavelmente da mesa de som do palco), outros captados com rústicos gravadores de gente do público. Até hoje os colecionadores de LP disputam alguns desses álbuns. Alguns exemplos famosos de live bootlegs são o "Asbury Park" (Black Sabbath, 1975), "Berlin 5.29.70" (Deep Purple, 1970) ou  "Destroyer" (Led Zeppelin, 1977). Em 1994 houve uma disputa judicial por ninguém menos que os remanescentes dos Beatles contra o lançamento de um show da banda de 1961, ocorrido na Alemanha ("Live at Star-Club-Hamburgo"). Hoje tal áudio se encontra facilmente na net. Nos anos 2000, o Pearl Jam, preocupado com a gravação de shows, chegou a lançar oficialmente dezenas de álbuns ao vivo, visando evidentemente em filar mais essa fatia mercadológica.

No Brasil, a prática de se lançar discos ao vivo nunca foi muito intensa. Alguns álbuns foram bem celebrados, seja pela ousadia ou pela força de suas vendas. Podemos citar "Mutantes Ao Vivo" (Mutantes,1976), "Korzus ao Vivo" (Korzus, 1985), "Made Pirata Vol. I e II" (Made in Brazil 1986), "Rádio Pirata ao Vivo" (RPM, 1986), "Barão ao Vivo" (Barão Vermelho, 1989), "RDP ao Vivo" (Ratos de Porão, 1992), "Acústico MTV" (Legião Urbana, 1999), dentre outros.

Mas a era da venda de discos passou, sobrevivendo ainda com pouca força nos dias de hoje. Se discos físicos não são mais objeto de posse dos fãs mais jovens, o que dirá do mercado de álbuns ao vivo? É bem comum hoje em dia a moçada se apegar em 3 ou 4 músicas de um álbum recém lançado, enterrando no passado o termo “B-Side” (oriundo dos 2 lados do antigo bolachão). Além do fato de que dezenas de milhares de vídeos de shows ao vivo são despejados anualmente no youtube, alguns captados desde toscas câmeras de celular até filmagens profissionais de canais de TV. É comum acontecer um show hoje e amanhã poder conferi-lo como foi.

Muitos artistas e gravadoras hoje em dia se relutam até mesmo a gravar um álbum de estúdio, contrafaceando os custos de produção com a arrecadação de vendas dos álbuns. Um investimento salgado num disco ao vivo torna-se então uma aventura arriscada. No máximo o produto planejado é um DVD/Blue Ray.


À luz dos novos costumes, podemos decretar que a cultura dos discos ao vivo vai sobreviver apenas na arte da coleção. E praticada, em sua grande maioria, por gente acima dos 40. Em suma, quer quiser saber como é a performance ao vivo de seus artistas favoritos, torre uma grana para ir ao show, ou então estoure um saco de pipoca e confira como puder, entre seu sofá e sua smart TV.

Álbuns ao Vivo: ainda são necessários?



Nos anos 1970 e 1980 uma das grandes expectativas dos fãs de rock eram os lançamentos de álbuns ao vivo de suas bandas favoritas. Era uma forma de se ouvir seu heróis executando nos shows seus trabalhos de estúdios. Alguns desses álbuns são considerados clássicos do rock, nivelados em sua importância até mesmo aos discos produzidos em estúdios. Muitos deles ganharam a opinião (praticamente) unânime do público consumidor. Vamos a alguns exemplos:

The Who – “Live At Leeds” - 1970
Deep Purple – “Made in Japan” – 1972
Uriah Heep – “Uriah Heep Live” – 1973
Kiss – “Alive I” - 1975 e “Alive II” - 1977
Led Zeppelin – “The Songs Remains the Same” – 1976
Peter Frampton – “Frampton Comes Alive” – 1976
Rush – “All the World's a Stage” - 1976
Rainbow – “On Stage” - 1977
Thin Lizzy – “Live and Dangerous” – 1978
Judas Priest – “Unleashed the East” – 1979
UFO – “Strangers In The Night” - 1979
Queen – “Live Killers” - 1979
Black Sabbath – “Live at Last” – 1980
U2 – “Under a Blood Red Sky” - 1983
Iron Maiden – “Live After Death” – 1985
Scorpions – “Word Wide Live” – 1985




 Quem estuda a cultura rock já deve ter lido que muitos destes discos recebiam um “retoque” especial antes de serem soltos no mercado. Os famosos overdubbings. Algumas partes (ou muitas) do álbum eram retocadas em estúdio, às vezes até mesmo som de plateia era adicionado. Alguns artistas defendem abertamente tal prática, alegando que a captação do som ao vivo apresenta falhas corriqueiras. Para alguns fãs radicais isso soa como enganação.



A cultura dos álbuns ao vivo chegou a um ponto em que muitos discos piratas (“bootlegs”, não lançados oficialmente por gravadoras) fizeram sucesso no mercado paralelo, virando item obrigatório junto a qualquer coleção. Muitos com qualidade irrepreensível (oriundos provavelmente da mesa de som do palco), outros captados com rústicos gravadores de gente do público. Até hoje os colecionadores de LP disputam alguns desses álbuns. Alguns exemplos famosos de live bootlegs são o "Asbury Park" (Black Sabbath, 1975), "Berlin 5.29.70" (Deep Purple, 1970) ou  "Destroyer" (Led Zeppelin, 1977). Em 1994 houve uma disputa judicial por ninguém menos que os remanescentes dos Beatles contra o lançamento de um show da banda de 1961, ocorrido na Alemanha ("Live at Star-Club-Hamburgo"). Hoje tal áudio se encontra facilmente na net. Nos anos 2000, o Pearl Jam, preocupado com a gravação de shows, chegou a lançar oficialmente dezenas de álbuns ao vivo, visando evidentemente em filar mais essa fatia mercadológica.

No Brasil, a prática de se lançar discos ao vivo nunca foi muito intensa. Alguns álbuns foram bem celebrados, seja pela ousadia ou pela força de suas vendas. Podemos citar "Mutantes Ao Vivo" (Mutantes,1976), "Korzus ao Vivo" (Korzus, 1985), "Made Pirata Vol. I e II" (Made in Brazil 1986), "Rádio Pirata ao Vivo" (RPM, 1986), "Barão ao Vivo" (Barão Vermelho, 1989), "RDP ao Vivo" (Ratos de Porão, 1992), "Acústico MTV" (Legião Urbana, 1999), dentre outros.

Mas a era da venda de discos passou, sobrevivendo ainda com pouca força nos dias de hoje. Se discos físicos não são mais objeto de posse dos fãs mais jovens, o que dirá do mercado de álbuns ao vivo? É bem comum hoje em dia a moçada se apegar em 3 ou 4 músicas de um álbum recém lançado, enterrando no passado o termo “B-Side” (oriundo dos 2 lados do antigo bolachão). Além do fato de que dezenas de milhares de vídeos de shows ao vivo são despejados anualmente no youtube, alguns captados desde toscas câmeras de celular até filmagens profissionais de canais de TV. É comum acontecer um show hoje e amanhã poder conferi-lo como foi.

Muitos artistas e gravadoras hoje em dia se relutam até mesmo a gravar um álbum de estúdio, contrafaceando os custos de produção com a arrecadação de vendas dos álbuns. Um investimento salgado num disco ao vivo torna-se então uma aventura arriscada. No máximo o produto planejado é um DVD/Blue Ray.


À luz dos novos costumes, podemos decretar que a cultura dos discos ao vivo vai sobreviver apenas na arte da coleção. E praticada, em sua grande maioria, por gente acima dos 40. Em suma, quer quiser saber como é a performance ao vivo de seus artistas favoritos, torre uma grana para ir ao show, ou então estoure um saco de pipoca e confira como puder, entre seu sofá e sua smart TV.

Álbuns ao Vivo: ainda são necessários?



Nos anos 1970 e 1980 uma das grandes expectativas dos fãs de rock eram os lançamentos de álbuns ao vivo de suas bandas favoritas. Era uma forma de se ouvir seu heróis executando nos shows seus trabalhos de estúdios. Alguns desses álbuns são considerados clássicos do rock, nivelados em sua importância até mesmo aos discos produzidos em estúdios. Muitos deles ganharam a opinião (praticamente) unânime do público consumidor. Vamos a alguns exemplos:

The Who – “Live At Leeds” - 1970
Deep Purple – “Made in Japan” – 1972
Uriah Heep – “Uriah Heep Live” – 1973
Kiss – “Alive I” - 1975 e “Alive II” - 1977
Led Zeppelin – “The Songs Remains the Same” – 1976
Peter Frampton – “Frampton Comes Alive” – 1976
Rush – “All the World's a Stage” - 1976
Rainbow – “On Stage” - 1977
Thin Lizzy – “Live and Dangerous” – 1978
Judas Priest – “Unleashed the East” – 1979
UFO – “Strangers In The Night” - 1979
Queen – “Live Killers” - 1979
Black Sabbath – “Live at Last” – 1980
U2 – “Under a Blood Red Sky” - 1983
Iron Maiden – “Live After Death” – 1985
Scorpions – “Word Wide Live” – 1985




 Quem estuda a cultura rock já deve ter lido que muitos destes discos recebiam um “retoque” especial antes de serem soltos no mercado. Os famosos overdubbings. Algumas partes (ou muitas) do álbum eram retocadas em estúdio, às vezes até mesmo som de plateia era adicionado. Alguns artistas defendem abertamente tal prática, alegando que a captação do som ao vivo apresenta falhas corriqueiras. Para alguns fãs radicais isso soa como enganação.



A cultura dos álbuns ao vivo chegou a um ponto em que muitos discos piratas (“bootlegs”, não lançados oficialmente por gravadoras) fizeram sucesso no mercado paralelo, virando item obrigatório junto a qualquer coleção. Muitos com qualidade irrepreensível (oriundos provavelmente da mesa de som do palco), outros captados com rústicos gravadores de gente do público. Até hoje os colecionadores de LP disputam alguns desses álbuns. Alguns exemplos famosos de live bootlegs são o "Asbury Park" (Black Sabbath, 1975), "Berlin 5.29.70" (Deep Purple, 1970) ou  "Destroyer" (Led Zeppelin, 1977). Em 1994 houve uma disputa judicial por ninguém menos que os remanescentes dos Beatles contra o lançamento de um show da banda de 1961, ocorrido na Alemanha ("Live at Star-Club-Hamburgo"). Hoje tal áudio se encontra facilmente na net. Nos anos 2000, o Pearl Jam, preocupado com a gravação de shows, chegou a lançar oficialmente dezenas de álbuns ao vivo, visando evidentemente em filar mais essa fatia mercadológica.

No Brasil, a prática de se lançar discos ao vivo nunca foi muito intensa. Alguns álbuns foram bem celebrados, seja pela ousadia ou pela força de suas vendas. Podemos citar "Mutantes Ao Vivo" (Mutantes,1976), "Korzus ao Vivo" (Korzus, 1985), "Made Pirata Vol. I e II" (Made in Brazil 1986), "Rádio Pirata ao Vivo" (RPM, 1986), "Barão ao Vivo" (Barão Vermelho, 1989), "RDP ao Vivo" (Ratos de Porão, 1992), "Acústico MTV" (Legião Urbana, 1999), dentre outros.

Mas a era da venda de discos passou, sobrevivendo ainda com pouca força nos dias de hoje. Se discos físicos não são mais objeto de posse dos fãs mais jovens, o que dirá do mercado de álbuns ao vivo? É bem comum hoje em dia a moçada se apegar em 3 ou 4 músicas de um álbum recém lançado, enterrando no passado o termo “B-Side” (oriundo dos 2 lados do antigo bolachão). Além do fato de que dezenas de milhares de vídeos de shows ao vivo são despejados anualmente no youtube, alguns captados desde toscas câmeras de celular até filmagens profissionais de canais de TV. É comum acontecer um show hoje e amanhã poder conferi-lo como foi.

Muitos artistas e gravadoras hoje em dia se relutam até mesmo a gravar um álbum de estúdio, contrafaceando os custos de produção com a arrecadação de vendas dos álbuns. Um investimento salgado num disco ao vivo torna-se então uma aventura arriscada. No máximo o produto planejado é um DVD/Blue Ray.


À luz dos novos costumes, podemos decretar que a cultura dos discos ao vivo vai sobreviver apenas na arte da coleção. E praticada, em sua grande maioria, por gente acima dos 40. Em suma, quer quiser saber como é a performance ao vivo de seus artistas favoritos, torre uma grana para ir ao show, ou então estoure um saco de pipoca e confira como puder, entre seu sofá e sua smart TV.